Não é de se estranhar que a busca por orientações do bem viver passou a beber de fontes antigas como a mitologia e os contos de fadas.
Essas expressões culturais e sagradas (no caso da mitologia) eram a forma como os povos antigos analisavam e compreendiam a vida. E os grandes temas fundamentais que nos atravessam permanecem os mesmos.
Ainda nos deparamos com as dificuldades de lidar com a perda de uma pessoa querida, as dores do amor não correspondido, a solidão, a inveja e tantas outras mazelas que nos afligem.
Compreender as mensagens secretas dessas histórias é acessar um manancial de conhecimento sobre aquilo que nos torna humanos e nos auxilia a resgatar nossas raízes ancestrais em um momento em que o presente e o futuro parecem tão caóticos e desordenados.
Escolhi algo que é bem comum nessas histórias que é quando o personagem principal precisa separar coisas que estão misturadas. O que isso significa? Qual a mensagem para usarmos no nosso dia a dia?
Realizar tarefas é algo bem comum, em vários contos e mitos, o protagonista precisa passar por 03 provas, 03 tarefas ou até 12 trabalhos, como Hércules, para que pudesse conquistar o objetivo final.
Esse aspecto em si não é apenas para testar a determinação do personagem, mas para promover uma mudança interna a cada tarefa completada.
É portanto, uma forma de promover transformações intensas a fim de conduzir esse personagem a um estado mais elevado, mais desenvolvido, mais amadurecido de sua psique.
A tarefa de separar coisas misturadas aparece no mito de Eros e Psiquê, uma bela história de amor.
Veremos nesse mito que Psiquê precisará desenvolver-se internamente para merecer o amor puro e verdadeiro do Deus Eros. E dentre as tarefas propostas por sua sogra terrível – Afrodite – Psiquê precisará separar uma quantidade grande de grãos em pouquíssimo tempo. Algo impossível para um humano.
Ela vai receber ajuda das formigas, que em grande número e com sua agilidade concluem a tarefa para Psiquê.
Separar as coisas é uma atribuição da consciência, um aprendizado que vamos aprimorando durante a vida, ao reconhecer o bom e o mau, o seguro e o perigoso, o certo e o errado e assim por diante.
Mas no mito, Psiquê tem a ajuda das formigas, outro aspecto bem comum nessas histórias, o personagem principal recebe a ajuda mágica de animais.
Os animais, quando aparecem dessa forma, representam nossos aspectos instintivos, primitivos, a nossa intuição.
Nesse caso, somente a consciência de Psiquê não conseguiria separar corretamente, ela precisaria de sua intuição, de seus instintos.
E assim é em nosso dia a dia. Como adultos, precisamos separar as boas das más escolhas, o que é importante e o que não é, quem merece nossa atenção e quem não merece. Isso é fundamental no gerenciamento do seu tempo.
E eu falo muito dessa habilidade de separar as tarefas como ponto principal para equilibrar bem sua rotina.
E para isso, precisamos não só de nossa razão, mas também dos instintos, pois eles podem nos mostrar facetas que não percebemos apenas pela razão. Eles percebem informações sutis, que escapam de uma visão mais concreta e racional.
Por isso, é tão importante o autoconhecimento, para que você entre em contato com esse seu lado mais primitivo, mais instintivo, sua essência e consiga realizar melhores escolhas.
Tem algo que eu sempre falo nos meus atendimentos: há uma sabedoria ancestral escondida em você e eu posso te auxiliar a entrar em contato com ela.
E ai? Como anda a sua intuição?